Acadêmicos de Niterói vira alvo de denúncia no MPRJ após ensaio técnico na Sapucaí com provocações a Bolsonaro

Escrito em 03/02/2026


Ensaio da Acadêmicos de Niterói causa denúncias no MPRJ e TCU O ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, realizado na Sapucaí na última sexta-feira (30), exibiu nos telões provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A atitude da escola, que levará à Sapucaí um enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, causou reações de políticos de direita. A senadora Damares Alves (Republicanos) protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral e pediu que a agremiação seja responsabilizada por supostamente usar dinheiro público para, segundo ela, fazer “a promoção pessoal de candidato à Presidência da República, bem como efetuar propaganda eleitoral de forma antecipada”. Outros políticos também se manifestaram. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) afirmou que protocolou uma denúncia no Ministério Público do Rio pedindo abertura de inquérito contra a escola. Já o ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL) escreveu em suas redes sociais: “Isso não é arte. É militância disfarçada”. Acadêmicos de Niterói faz ensaio técnico na Sapucaí Reprodução/Youtube Rio Carnaval Caso no TCU O caso chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal não pague o valor de R$ 1 milhão previsto em acordo de cooperação entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para a Acadêmicos de Niterói. A recomendação atende a um pedido de seis deputados federais do partido Novo, que alegam desvio de finalidade no uso de recursos públicos. O samba-enredo da escola, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, contará a trajetória pessoal e política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como possível candidato à reeleição em 2026. Os parlamentares pedem que o TCU impeça a apresentação do samba ou exija a devolução dos valores repassados pela Embratur, caso a escola mantenha o desfile com recursos próprios. Eles também requerem a responsabilização de gestores e autoridades envolvidas, com aplicação de sanções previstas em lei. Ainda não há prazo para julgamento do processo. Repasses Em nota, a Embratur informou que prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro e reiterou que não interfere na escolha dos sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações. A instituição disse ainda que não foi formalmente notificada pelo TCU, mas está à disposição para prestar esclarecimentos. Além da verba da Embratur, as escolas de samba receberam outros repasses: o governo do estado destinou R$ 40 milhões e a prefeitura do Rio, R$ 25 milhões, valores divididos igualmente entre as agremiações. Já a prefeitura de Niterói repassou R$ 4 milhões para a Acadêmicos de Niterói e outros R$ 4 milhões para a Unidos do Viradouro, as duas escolas da cidade que integram o Grupo Especial. Procurada, a agremiação não quis se pronunciar sobre as críticas. A Liesa disse que não recebeu qualquer notificação, que é uma entidade privada, sem fins lucrativos e que obedece diretrizes impostas pelos órgãos públicos.
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