Empresária baiana é alvo de ação civil após dizer nas redes sociais que ser LGBT não é normal

Escrito em 15/10/2026


Empresária é alvo de ação pública após fala considerada LGBTfóbica Uma empresária da cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, virou alvo de uma ação civil pública após compartilhar nas redes sociais um vídeo com falas consideradas LGBTfóbicas. A informação foi divulgada pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA), que acionou a Justiça depois de uma denúncia de um coletivo LGBTQIAPN+ da região. Foram pedidos um vídeo com retratação e o pagamento indenização por dano moral coletivo de R$ 30 mil. Na publicação, Day Souza relata uma experiência com a filha, uma criança que teria questionado o que é ser LGBT. Segundo a empresária, na resposta, ela afirmou que é algo que não pode ser considerado normal. "Para responder, eu falei o seguinte: 'Filha, então... tem coisas que o mundo vai querer trazer para gente como o normal, mas a Bíblia diz que Deus criou Adão e Eva. Deus criou o homem e a Mulher. Deus criou um para o outro. Então, assim como mamãe é casada com papai, lá na frente, Deus vai preparar um príncipe para você casar. E foi isso que Deus criou", contou. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Bandeira LGBT - LGBTQIA+ Sophie Emeny/Unsplash A empresária contou ainda que uma prima da criança estava na conversa e que ela teria tocado no assunto primeiro, porque já sabia o significado. "Lembrando que todas as minhas sobrinhas, para honra e glória do Senhor, também são cristãs. A maior já sabia o que significava, só que ela não", explicou. Por fim, a baiana alegou ter pedido à filha que sempre buscasse ajuda com dúvidas como essas. "Sempre que a gente tiver essas dúvidas, a gente vai perguntar, não para qualquer pessoa". O g1 tentou, mas não tinha conseguido contato com a mulher até a última atualização desta reportagem. Em nota, o defensor público Daniel Bernardes, que atua no caso, disse que a ação não discute fé e nem liberdade religiosa, mas a divulgação pública de uma fala que inferioriza um grupo social. “A posição da Defensoria Pública enquanto instituição é de que discursos de ódio não são protegidos pela Constituição. Esses discursos não estão dentro da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e não é algo que se deseje que seja empregado na orientação dos filhos pelos pais”, explicou. Ainda conforme o órgão, antes de ajuizar uma ação civil pública, foi feita uma recomendação da retirada do vídeo do ar, com a publicação de uma retratação também em vídeo. A empresária removeu a publicação e divulgou uma nota escrita, mas não gravou a retratação. “Embora haja o pedido de indenização, o principal objetivo da ação é a retratação. Isso se deve ao caráter pedagógico da medida, à necessidade de educação em direitos da população, inclusive das pessoas que sustentam esse discurso LGBTfóbico”, afirmou o defensor. LEIA MAIS: Repositor da Unilever será indenizado em R$ 30 mil após denunciar ofensas homofóbicas em mercado de Salvador Mais de 400 casos de LGBTfobia foram registrados em Salvador nos últimos dois anos, diz MP-BA Paciente que disse não gostar de ser atendida por gay em hospital: entenda o caso envolvendo médico da Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
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