Arsenal de fuzis no Santa Marta aumentou 650%; drone da polícia flagrou homens armados até na feira

Escrito em 23/06/2026


Operação para prender traficantes do Santa Marta tem intenso tiroteio O número de fuzis em circulação no Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, aumentou 650%, segundo a Polícia Civil. De acordo com a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a comunidade tinha 4 armas desse tipo e hoje há pelo menos 30 mapeados na região. A Polícia Civil não especificou o período de aquisição. As informações fazem parte de uma investigação iniciada em 2024 e que resultou na ofensiva desta terça-feira (23), em mais uma fase da Operação Contenção. Agentes saíram para cumprir 44 mandados de prisão contra integrantes do tráfico da comunidade. Até a última atualização desta reportagem, 6 pessoas haviam sido presas — 8 alvos já estavam encarcerados. Durante a ação, um passageiro de um ônibus que passava pela Rua São Clemente foi baleado na perna. Um grupo que foi acompanhar o nascer do sol no mirante no alto da favela ficou preso por causa dos disparos. Imóveis vizinhos também ficaram com marcas de balas, como a Igreja Metodista e um prédio residencial. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Homem com fuzil circula em feira no Santa Marta Divulgação/PCERJ Alvo conseguiu fugir Segundo a Polícia Civil, o responsável pelo aumento do arsenal é Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano. A DRE afirma que ele assumiu o comando das atividades criminosas no Santa Marta e ampliou o poder bélico da facção. Mexicano não foi localizado e já é considerado foragido. “Nesse procedimento conseguimos demonstrar que Mexicano foi o responsável por aumentar o quantitativo de fuzis na região. Era uma região que tinha 4, 5 fuzis, e hoje temos mapeamento de pelo menos 30 fuzis naquela região”, afirmou o delegado Paulo Saback. As investigações também apontam que a organização criminosa é chefiada por Ronaldo Pinto Lima e Silva, o Ronaldinho Tabajara. Preso em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília, ele continua dando ordens ao grupo, segundo a polícia. “Mesmo preso, ele consegue emitir direcionamentos para que a atividade criminosa continue perpetuando naquela área. Ele emite ordens, participa de deliberações gerais. Não só naquela localidade, mas em outras também. Há exemplos de determinação de roubos e crimes patrimoniais em toda a capital fluminense”, disse Saback. Drone da Polícia Civil flagra movimentação em boca de fumo Divulgação/PCERJ Vigilância por drone Imagens registradas por drones da instituição durante a investigação mostram homens armados circulando livremente pela comunidade. Em um dos flagrantes, um homem com um fuzil aparece caminhando por uma rua próxima a uma feira livre. Em outro, um criminoso é visto em uma laje ao lado de uma criança. Os equipamentos também registraram a movimentação em pontos de venda de drogas. Segundo a polícia, uma das imagens mostra uma boca de fumo funcionando nos fundos de uma casa. Ao longo da investigação, a DRE identificou pontos de venda de drogas, áreas de contenção armada e seteiras — muros vazados para permitir que traficantes atirem. Segundo Saback, o Santa Marta é considerado estratégico para o crime organizado por causa da circulação de turistas e visitantes. “A atividade de venda de entorpecentes é grande e rentável naquela localidade”, declarou.
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