Cadeirante arremessado de prédio foi enterrado como indigente por estar sem documentos; família pede reabertura de inquérito

Escrito em 02/03/2026


Cadeirante arremessado de prédio por homem em surto era paratleta do MS A Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmou, nesta segunda-feira (2), que o cadeirante Maycon Douglas de Jesus Almiron, arremessado de um prédio em Boa Viagem, foi enterrado como indigente por não estar com documentos e porque a polícia não conseguiu contato com parentes da vítima. A vítima, que tinha 30 anos, era natural de Mato Grosso do Sul e era ex-paratleta. Maycon, que tinha má formações nos braços e pernas, foi jogado do prédio junto com sua cadeira de rodas elétrica. Quem o empurrou foi Thiago Regalado Carvalheira, de 35 anos. Segundo a polícia, ele estaria em surto e também se jogou do edifício e morreu. Agora, a família da vítima pede a reabertura do inquérito sobre o caso (entenda mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O crime aconteceu no dia 13 de fevereiro e o corpo de Maycon permaneceu por 13 dias na sede do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, no Centro do Recife. No dia 26, o corpo foi sepultado no Cemitério Parque das Flores, em Tejipió, na Zona Oeste do Recife. Os parentes só souberam soube da morte do rapaz no dia em que ele foi enterrado. A história chegou à família pela internet, depois que o delegado que registrou a ocorrência, Rodrigo Bello, publicou um vídeo falando sobre o crime para tentar localizar os parentes de Maycon. Os parentes questionaram o porquê de Maycon ter sido enterrado como indigente, já que se sabia o nome dele e que, segundo eles, o rapaz tinha documentos. A SDS, por sua vez, afirmou que o corpo estava sem documentação, e que, por isso, os familiares eram desconhecidos. Maycon Douglas foi arremessado de prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife Reprodução/Instagram Por causa disso, o IML seguiu os procedimentos estabelecidos pela portaria 1461/2014, da SDS. Ela estabelece que cadáveres não reclamados em até oito dias poderão ser liberados para que sejam enterrados, independentemente de ordem judicial. A portaria também determina que o estado mantenha arquivado uma série de dados das características do corpo, como fotos, ficha com impressões digitais, laudo do exame tanatológico e outras informações e documentos julgados pertinentes. A SDS também afirmou que familiares ou representantes legais possuem acesso à documentação a qualquer tempo. Já a Polícia Civil informou que, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios, o delegado responsável pelo caso adotou medidas identificar e localizar familiares da vítima, "inclusive por meio da divulgação de vídeo nas redes sociais". O inquérito sobre o caso foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no dia 26 de fevereiro. Agora, os parentes de Maycon querem vir a Pernambuco para fazer o reconhecimento do corpo e obter o atestado de óbito da morte. Prima da vítima, a secretária e maquiadora Maria Gabriela Almiron contou que a família deseja que o inquérito seja reaberto. "Queremos ir a Pernambuco para mudar a situação dele de indigente, pegar a certidão de óbito e entrar com um pedido para reabrir o inquérito e ver em que situação está, e ver também o que a testemunha declarou lá. [...] Até o presente momento, a gente só tem o boletim de ocorrência em mãos, mas o inquérito a gente só pode ter acesso com a certidão de óbito", afirmou. Ainda segundo Maria Gabriela, a família não pretende exumar o corpo. "Ele já foi enterrado. A gente, da família, sente muito. Tem muita gente falando que precisava se despedir dele, mas infelizmente nem a mãe dele conseguiu. Não foi possível ver lá o corpo dele. A minha tia, mãe dele, está à base de remédios. A gente está aqui. Ora chora, ora não acredita", afirmou. O caso Maycon Douglas de Jesus Almiron tinha 30 anos e, em 2013, foi campeão em bocha adaptada dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, em Buenos Aires. Segundo parentes, ele recebia pensão pela deficiência física e saiu aos 20 anos da casa da avó, que o criou. Ele gostava muito de viajar e costumava passar longos períodos sem dar notícias à família, se hospedando em hotéis em diferentes cidades do Brasil. Tinha paixão por vendas e gostava de ir às ruas vender doces. A última vez que Maycon esteve no estado natal foi em julho de 2025. Na época, ele estava há cinco anos sem ver a avó, que mora em Campo Grande, e passou um mês no estado natal. Saiu dizendo que iria para Maceió. Entre as cidades por onde a família sabe que ele já passou estão São Paulo, João Pessoa e Blumenau (SC), além do Recife, onde foi morto. O prédio onde o caso aconteceu fica próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem, uma das áreas mais nobres do bairro. Segundo testemunhas, Maycon estava vendendo doces na orla quando encontrou Thiago Carvalheira, que estava com uma amiga e chamou o cadeirante para ir a seu apartamento. Na residência, Carvalheira começou a demonstrar agressividade. A amiga dele, que não teve o nome divulgado, não conseguiu contê-lo e fugiu do apartamento com uma empregada doméstica. Maycon ficou na residência e foi arremessado do quarto andar com sua cadeira de rodas. Depois disso, Thiago Carvalheira continuou gritando e arremessando objetos do apartamento. Quando sua mãe chegou e entrou no apartamento, ele se jogou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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